?

Log in

Museu espanhol usa madeira brasileira de empresas envolvidas em ilegalidade

Oct. 24th, 2005 | 02:32 pm
posted by: yeltsinlima in ylima

Ativistas do Greenpeace escalaram hoje a fachada do Museu Nacional Reina Sofia, em Madri, na Espanha, para abrir um banner denunciando o uso de 6 mil m2 da madeira amazônica jatobá nas obras de ampliação do Museu. A madeira – que agora decora pisos, divisórias, forro e prateleiras do prédio, projetado pelo badalado arquiteto francês Jean Nouvel – foi extraída na região de Altamira, no Pará, por madeireiras envolvidas em ilegalidades e desmatamento. A empresa Dragados, responsável pela obra, pertence ao grupo ACS (Actividades de Construción y Servicios) e tem como presidente Florentino Perez, também presidente do time de futebol Real Madrid. Várias faixas foram abertas dentro e fora do museu por 41 ativistas.

O Greenpeace entregou o relatório ‘Crime no Museu’ (veja íntegra em espanhol) às autoridades e empresas espanholas. O texto descreve a fragilidade dos documentos oficiais apresentados por empresas de países produtores e a necessidade de normas mais rígidas para evitar a entrada de madeira predatória e ilegal na Europa.

O Reina Sofia, de 84 mil m2 , é o mais importante museu de arte contemporânea da Espanha e abriga obras famosas como o ‘Guernica’ de Picasso. As obras da expansão, concluídas no último dia 26 de setembro, duraram três anos. O jatobá foi utilizado nas salas de acervo, nos salões de exibição e até mesmo nos escritórios do novo prédio.

O relatório revela toda a cadeia de comercialização da madeira utilizada no Museu e mostra que compromissos ambientais assumidos por grandes grupos corporativos e governos não são verdadeiros. A empresa Dragados comprou a madeira da Maderas Besteiros, tradicional importadora de madeira da Amazônia brasileira. Três indústrias do Pará forneceram a madeira que decora o Museu na Espanha: Madeireira São Marcos Ltda de Uruará, Hélio Lorenzoni ME (com o nome fantasia de Serraria São José) e Madeireira Santa Clara Ltda Todas são de Altamira e de membros da família Lorenzoni. Mesmo com a falta de estrutura do Ibama e da polícia ambiental do Pará, as empresas que venderam a madeira chegaram a ser flagradas várias vezes com madeira ilegal, nas poucas operações que aconteceram na região no período.

Estudo recente do Imazon (Instituto do Meio Ambiente e do Homem da Amazônia), aponta que o volume de toras destinada a serrarias e laminadoras em 2004 na região foi de 24,6 milhões de metros cúbicos. Comparando com o autorizado para exploração pelo Ibama e os órgãos estaduais concluímos que 59% foi ilegal. “Se considerarmos que muitos planos de manejo autorizados também não cumprem todas as normas, a estimativa de madeira ilegal gira entre 60% a 80%”, disse Marcelo Marquesini, engenheiro florestal da Campanha da Amazônia do Greenpeace, que participou da ação em Madri. “Com estes números, o histórico das empresas fornecedoras e a fragilidade do sistema de controle da produção de madeira adotado pelo governo brasileiro, não há como garantir que a madeira utilizada no Museu seja legal, que não tenha sido esquentada”, complementou.

A Madeireira São Marcos situada em Uruará, na rodovia Transamazônica, está em nome de Valber Falqueto e foi multada quatro vezes entre 2002 e 2004 por beneficiar madeira sem documentação e manter em seu pátio produto ilegal. Uma multa de agosto de 2004 está relacionada a 441 m3 de jatobá ilegal em seu pátio, a mesma espécie exportada para a Europa para uso no Museu. Hélcio Lorenzoni ME e a Madeireira Santa Clara Ltda estão situadas no mesmo endereço em Altamira e pertencem ao mesmo proprietário, Paulo Lorenzoni. Estas empresas também foram multadas entre 1998 e 2004 por obter, processar e transportar madeira sem documentação.

O Greenpeace exige dos países da União Européia a adoção de medidas mais sérias contra a importação de madeira ilegal facilmente esquentada nos países produtores. Para as empresas exportadoras e importadoras somente a comercialização de madeira certificada pelo FSC – um mecanismo não-governamental e independente - pode garantir a origem não predatória e legal da madeira. No Brasil, o Greenpeace quer a presença permanente do governo para garantir governança e cumprimento da legislação ambiental na Amazônia, o que não acontece hoje.

Link | Leave a comment {1} | Share

Seca castiga a Amazônia Brasileira

Oct. 24th, 2005 | 02:31 pm
posted by: yeltsinlima in ylima

Desmatamento e mudanças climáticas podem transformar a Bacia Amazônica em um ecossistema muito mais seco, resultando num processo irreversível de perda de biodiversidade

A forte seca que afeta a Amazônia pode ser o aviso que o País e o mundo precisavam para enfrentar de vez as causas que podem condenar a maior floresta tropical do planeta ao desastre: o desmatamento descontrolado e o aquecimento global. Estaríamos já às portas de um triste futuro ou trata-se de um fenômeno conjuntural?

Nos últimos dias, ativistas do Greenpeace visitaram e documentaram algumas das áreas mais afetadas pela seca no estado do Amazonas. A visão é dramática: grandes rios, lagos e várzeas atingiram seu nível mais baixo em muitas décadas e, agora, não passam de pequenos córregos de lama. Lugares onde comunitários costumavam usar barcos e canoas como único meio de transporte, agora podem simplesmente passar andando ou de bicicleta. Grandes barcos estão presos no barro seco, que costumava ser o leito dos rios. Milhares de peixes mortos atraem urubus, transformando a paisagem em um grande cemitério a céu aberto. Cidades e comunidades completamente dependentes dos rios estão totalmente isoladas, padecendo com a falta de remédios, combustível, água potável e comida.

Para Paulo Artaxo, cientista da USP (Universidade de São Paulo), o desmatamento e as queimadas afetam a formação de nuvens de chuvas, o que diminui a precipitação sobre a Amazônia. Metereologistas do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia) argumentam que as altas temperaturas no Oceano Atlântico, que levaram à formação de fortes furacões como o Katrina e Rita, podem estar mudando a circulação do ar sobre a Amazônia, inibindo a formação de chuvas.

Estima-se que, em algumas décadas, este efeito perverso do desmatamento pode ser irreversível e a floresta amazônica pode desaparecer. “Se a Amazônia perder mais de 40% da sua cobertura florestal, nós atingiremos um ponto onde será impossível reverter o processo de savanização da maior floresta tropical do mundo”, alerta Carlos Nobre, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e presidente do Programa Internacional Geosfera Biosfera (IGBP).

Este processo pode ser acelerado pelo aquecimento global. “O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas por causa de sua enorme biodiversidade”, disse Nobre.

“A destruição da Amazônia diminui a formação de nuvens de chuva, tornando as florestas mais secas. Por sua vez, florestas mais secas são mais suscetíveis às queimadas e aos efeitos do aquecimento global” explica Carlos Rittl, campaigner de Clima do Greenpeace. Ele lembra que o desmatamento e as queimadas na Amazônia são responsáveis por mais de 75% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. “Isso coloca o Brasil entre os quatro maiores emissores do mundo e dá ao Brasil uma enorme responsabilidade na implementação de soluções para o problema.”

Nos últimos 35 anos, a Amazônia Brasileira já perdeu quase 17% de sua cobertura florestal devido às atividades humanas, em particular a crescente expansão da agropecuária e exploração ilegal de madeira. “O planeta está enviando sinais claros que não podemos mais evitar. Corremos o risco de perder a maior floresta tropical do mundo e toda uma biodiversidade que sequer foi bem estudada”.

Para o Greenpeace, o Brasil precisa adotar metas urgentes e concretas de redução do desmatamento e, consequentemente, das emissões de gases do efeito estufa se quiser barrar os efeitos perversos do aquecimento global. O País deve também liderar, na próxima reunião da Convenção da Biodiversidade (CBD), em março de 2006, os esforços de governos de todo o mundo para criar uma rede de áreas protegidas destinadas a preservar a diversidade biológica, as comunidades tradicionais e sua cultura.

Link | Leave a comment | Share

Governo não cumpriu suas próprias metas de combate ao desmatamento

Oct. 24th, 2005 | 02:30 pm
posted by: yeltsinlima in ylima

02-09-2005 - Cuiabá - MT
Governo não cumpriu suas próprias metas de combate ao desmatamento

Apesar dos indicadores positivos que apontam queda no desmatamento na Amazônia, estudo divulgado hoje pelo Greenpeace na Reunião Extraordinária do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), em Cuiabá (MT), revela que o Governo Federal deixou de cumprir a maior parte das metas que havia fixado para 2004 em seu Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. A redução no desmatamento foi divulgada esta semana pela Casa Civil e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O estudo reconhece avanços feitos pelo governo na luta contra o desmatamento, mas ressalta que a queda apontada ocorreu numa conjuntura favorável, criada pela redução dos preços das commodities agrícolas, pela sobrevalorização do Real e pelo grande impacto da Operação Curupira, que resultou na prisão de quase uma centena de pessoas e paralisou as frentes de desmatamento no Mato Grosso e Pará.

“A grande redução do desmatamento em junho decorre também da forte presença do governo na Amazônia após o assassinato da Irmã Dorothy Stang em fevereiro e da criação de áreas protegidas, numa prova de que governança funciona”, disse o engenheiro florestal Marcelo Marquesini, um dos autores do relatório do Greenpeace. “Se o governo tivesse feito tudo o que prometeu, a luta contra a destruição da Amazônia e pela promoção de atividades florestais realmente sustentáveis poderia estar bem mais avançada”.

Em nota divulgada hoje na reunião do Conama, as entidades que compõem o Grupo de Trabalho de Florestas do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS) – entre elas o Greenpeace –, observam que “passada a ressaca da Operação Curupira, os dados de desmatamento de julho e agosto apontam para a retomada de patamares de desmatamento do mesmo período do ano passado”. As ONGs pedem a revisão do Plano de Ação do governo, “que deveria por exemplo, fortalecer as ações de combate à corrupção.”

O levantamento realizado pelo Greenpeace entre fevereiro e maio de 2005 verificou o andamento da realização das 24 ações previstas no Plano, lançado pela Presidência da República em março de 2004, envolvendo 13 ministérios e sob coordenação da Casa Civil. O relatório, que cobre o período março de 2004 a maio de 2005, aponta diversos problemas na execução do plano – entre elas, a não liberação de recursos financeiros em tempo hábil. Mais de 90% das metas do Plano de Ação deveriam ter sido cumpridas até o final de 2004, mas não foram atingidas até maio de 2005, quando o estudo foi concluído.

Para o relatório, o Greenpeace realizou pesquisas de campo, sobrevôos por áreas desmatadas, entrevistas com fontes do governo, com pessoal de escritórios do Ibama e de bases operativas do Plano.

"Embora seja estimulante ver que a luta do Ministério do Meio Ambiente contra o desmatamento passou a ser compartilhada por alguns outros ministérios, nosso estudo demonstra que a proteção da Amazônia ainda não é uma prioridade do governo como um todo, que muitas vezes age na contra-mão de seu próprio plano", disse Marquesini.

Baixe o relatório: http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/Fata_acao_web3.pdf

Link | Leave a comment | Share

José Saramago apóia campanha do Greenpeace e lança primeiro livro com certificação florestal

Oct. 24th, 2005 | 02:28 pm
posted by: yeltsinlima in ylima

21-10-2005 - São Paulo (SP)
José Saramago apóia campanha do Greenpeace e lança primeiro livro com certificação florestal no Brasil
Prêmio Nobel de Literatura promove a adoção de padrões sustentáveis pela indústria editorial para proteger as florestas do mundo

A campanha para salvar as últimas florestas primárias do planeta acaba de ganhar uma contribuição de peso. José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998 e um dos maiores escritores vivos da língua portuguesa, aderiu à campanha do Greenpeace e pediu pessoalmente a suas editoras em todo o mundo que seguissem normas ambientalmente adequadas para produzir sua nova obra. Pela primeira vez no Brasil, um livro é impresso em papel e gráfica certificados pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal). O lançamento mundial da nova obra de Saramago, “As Intermitências da Morte”, acontece no País no próximo dia 27 de outubro.

“Apesar do grande estímulo cultural que nos presta, a indústria editorial consome avidamente papel cuja produção estimula a destruição das florestas”, disse Rebeca Lerer, uma das coordenadoras da campanha de Florestas do Greenpeace. “Isso representa uma perda irreparável para o mundo. O desaparecimento das florestas ameaça a biodiversidade – indispensável para garantir a manutenção das espécies e das culturas tradicionais que dependem destes ecossistemas para sobreviver. Iniciativas como a de José Saramago são provas de respeito, não apenas ao meio ambiente, como a todos nós”.

A Companhia das Letras, editora de Saramago no Brasil, cumpriu todas as recomendações do FSC, desde o cuidado com a escolha do papel até a gráfica certificada onde a obra foi impressa. “O lançamento deste primeiro livro com o selo FSC é uma evolução muito importante para o mercado editorial brasileiro. Pretendemos fazer mais lançamentos certificados e acredito que outras editoras farão o mesmo”, afirmou Elisa Braga, diretora de produção da Companhia das Letras.

O FSC é o único sistema de certificação independente que adota padrões socioambientais internacionalmente aceitos, incorporando de maneira equilibrada os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos. Atualmente, o FSC oferece a melhor garantia de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição das florestas primárias como a Amazônia.

O Greenpeace encoraja a indústria editorial em diversos países a deixar de usar papel cuja produção acarreta a destruição das florestas e a adotar práticas social e ambientalmente adequadas na utilização de produtos florestais, como o uso de papel reciclado ou certificado pelo FSC. Desde 2000, mais de 6 milhões de livros foram impressos em papel reciclado no Canadá. A Europa também já está seguindo esta tendência ambientalmente responsável – na Espanha, por exemplo, mais de 450 mil livros foram impressos em papel reciclado ou certificado pelo FSC. A iniciativa tem a adesão de autores de renome, como Isabel Allende e Margaret Atwood, e também de editoras importantes no mundo todo, como a canadense Raincoast Books, que publica a série juvenil Harry Potter.

José Saramago nasceu em Portugal, em 1922, e tornou-se um dos mais importantes escritores do mundo. Escreveu, entre outros, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Memorial do Convento. Sempre preocupado com as causas sociais, nos últimos anos passou a contribuir também com o movimento socioambiental e participa de atividades do Fórum Social Mundial. Em 1998 tornou-se o primeiro escritor da língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura.

Link | Leave a comment | Share